Comentando – DARK: 1º Temporada (2017)

Terminei a pouco tempo de assistir a série Dark da Netflix, lembro que apenas li o termo “viagem no tempo” e já corri para assistir a série, eu não sabia nada sobre ela e foi uma grata surpresa no final de 2017 e nesse início de 2018. Temos aqui uma série alemã e nós não iremos encontrar o que estamos acostumados a ter nas produções televisiva norte-americana, e vejo isso como algo muito bom.

Todas as pessoas estavam surtando e pirando ao assistir e eu simplesmente não entendia o motivo, hoje posso dizer que são tantos que realmente não tem como todos terem a mesma sensação vinda da série, mas que a mesma é uma experiência em si ela é. Uma das coisas que me chamou atenção no primeiro episódio é sua fotografia e linguagem cinematográfica, não sou uma grande entendida de cinema, no entanto aprendi com meu pai que séries e filmes tem uma forma muito diferente de se expressar, existe uma forma toda característica que cada um tem de fazer suas representações visuais, a forma como escolhe contar a história.

Dark

Essa forma de escolha vai muito além de roteiro, engloba a colagem, planos, ângulos, fotografia. O audiovisual é uma experiência bem completa e a cada elemento é importante no todo que forma o vídeo a ser assistido e que irá impactar as pessoas. Estou falando disso exatamente pelo motivo de que temos aqui uma linguagem de cinema muito única, tanto nos seus ângulos quanto na sua colagem. Reparem no primeiro episódio logo que o personagem Jonas sai de casa. Temos uma cena belíssima que brinca com diversos planos diferentes, um mais aberto, um mais fechado, sendo que esse tipo de linguagem é muito mais utilizada no cinema do que na TV.

Temos sim na TV exemplos de uso de linguagem cinematográfica bem antes de Dark, no entanto só estou apontando que isso não é algo comum, não é comum pois demanda uma quantidade de dinheiro muito maior. Ainda nos mantendo nisso a série tem uma trilha sonora que me agradou muito. Em muitos momentos temos apenas o som de instrumentos de corda secos que fazem todo o clima. Sensacional. As músicas não instrumentais tem letras sensacionais e dialogamos perfeitamente com a história contada e com o clima da série. Claro que todos esses elogios podem ser apenas a nostalgia por ouvir músicas que eu gosto muito sendo utilizadas durante os episódios.

A fotografia da série é uma beleza a parte. Tenho que dizer que muitos desses elogios que irei fazer são também uma queda que tenho por séries que chovem muito, só turns e com uma paleta de cores mais fria (amo a fotografia da série The Killing que chove tanto quanto na cidade de Winen). Como falei a fotografia da série é bem soturna, fria, com uma paleta de cores no geral muito sóbria e que se mantém durante toda a temporada, isso foi algo que eu gostei muito, mesmo em locais que deveriam ser mais neutros como a escola, mesmo até em décadas diferentes essa paleta é respeitada não descaracterizando os cenários e épocas por isso achei um acerto enorme. No todo gostei muito da parte técnica, a série que tem um cuidado muito grande e entende o que significa que um projeto audiovisual, é um conjunto de características, não apenas imagem, não apenas som, é um todo, a soma disso é que forma a série é nisso eles acertam. Além disso o equilíbrio entre essas coisas é fundamental e vemos esse equilíbrio acontecendo.

DarkAgora eu queria falar sobre roteiro. Lendo a sinopse temos uma semelhança com outro sucesso do Netflix, Stranger Things. Desculpa gente, mas é parecido sim. No entanto as semelhanças param aí. Comparar Dark com Stranger Things ou Donnie Dark é desmerecer o trabalho criativo da série em ser algo único. Já ouvimos diversas vezes a frase “nada se cria tudo se transforma” no entanto acredito que falta uma segunda parte nessa frase que seria “no entanto tudo depende de como se transforma”. Verdadeiramente não temos aqui a primeira série a falar sobre viagem no tempo, nem a primeira em trabalhar um mistério envolvendo uma cidade, no entanto o como isso é trabalhado que dá essa característica a ela e a tantos outros trabalhos fantásticos que existem por ai. Já falei para vocês que a parte técnica da série é impecável e essa parte é muito responsável por fazer esse COMO que foi dito, no entanto sem um bom roteiro tanta qualidade seria apenas desperdício.

O roteiro não é algo único e nunca visto antes, mas ele é fechado, deixa as perguntas certas em aberto e costura a maioria das dúvidas, porém o que achei mais prazeroso no roteiro foi aquela pulga atrás da orelha, aquela vontade de assistir tudo de novo anotando cada informação para validar minhas teorias. Gosto muito de séries que tem teorias, que deixam você pensando nela mesmo depois que a mesma já acabou e é isso que Dark faz, o roteiro te pega desde o primeiro episódio mesmo que não aconteçam coisas bombásticas devido às atuações. Você se vê envolvido naquele grupo de pessoas, tentando entender elas.

 

Dark

Com isso vamos para outro ponto primoroso da série que são as atuações. Produções com público mirim são difíceis de se levar, crianças sempre serão crianças, eu fiquei muito surpresa com a qualidade do elenco teen e do elenco mirim, os dois entregam um trabalho de qualidade magistral. Uma coisa que eu acho bem legal é que os personagens são cinzas, ninguém na minha opinião acaba descambando para a canastrice, por sinal isso é um os pontos mais fortes, o tempo todo tentamos entender qual é a face dos personagens e você vai se envolvendo com eles durante essa descoberta.

Se você ainda não assistiu Dark por favor assista, é uma série bem interessante, com ótimas atuações e muito bom para conhecer o mercado de produções alemã que foi algo completamente novo para mim. Se é fã de ficção científica é uma obra que provavelmente irá te agradar, mesmo que não seja absurdamente profunda e difícil na parte científica entrega um material de altíssima qualidade. Lembremos que simplicidade não é o oposto de qualidade, e com essas considerações eu fico por aqui, ansiosa e pirando em teorias para a segunda temporada que já foi confirmada.

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